FORMAÇÕES

 

Maria toda de Deus e tão humana

1. Maria, toda de Deus

A anunciação a Maria inaugura a “plenitude dos tempos”. O tempo anterior, como já vimos, chamado de preparação e das promessas é concluído. Deu-se a Encarnação de Jesus. Maria o concebeu corporalmente na sua realidade humana. A humanidade de Jesus, na qual habita plenamente a divindade, é proveniente da sua. Foi o Espírito Santo, que está sempre conjugado e ordenado à missão do Filho, que santificou o ventre de Maria e divinamente o fecundou.Precisamente por isso, Jesus é o Cristo, o Ungido.

Maria foi predestinada. Maria, em hebraico Miryam, de significado e etimologia incertos, talvez do egípcio Mrjt, significa “amada”. O primeiro e mais seguro dos dados históricos que temos a partir dos relatos evangélicos, é a condição de Maria como mulher israelita; por isso, com etnia, religião judaica e uma realidade histórica precisa: jovem, de Nazaré na Galiléia, virgem desposada.

O Catecismo diz que a missão de Maria foi preparada pela missão de muitas santas mulheres que são figuras relevantes para uma boa compreensão de Maria. citadas no Antigo Testamento. Tais como: a primeira delas é Eva, ela é a primeira mulher da Bíblia, é portadora do dom da vida, portanto princípio da humanidade e colaboradora no plano da criação. No fundo do relato da vocação de Maria e na forma de Jesus tratar Maria como “mulher”, evoca-se a figura de Eva. Sara, que concebe o filho de Abraão, pai da fé, apesar da idade avançada. Nas palavras de Isabel “Bendita és tu que crestes” (cf. Lc. 1, 45), pode ser percebido Maria como mãe da fé do novo povo inaugurado por Jesus. Ana, mãe de Samuel, destaca-se no hino do Magnífica de Maria. Judite e Ester, que contribuíram para a libertação do povo eleito, converteram-se em mães simbólicas desse povo, também Débora, Rute e muitas outras. Isabel já compreende quando exclama: “Bendita és tu entre as mulheres”, que sobre todas as grandes mulheres da Bíblia, Maria se sobressai.

2. Maria, tão humana

Maria é toda de Deus, nascida sem pecado original, é o que o dogma da Imaculada Conceição estabelece. Existe uma estreita relação entre Maria e os começos da humanidade. A Igreja afirma que o princípio da humanidade foi imaculado, sem pecado e a prova disso é Maria, criatura humana redimida por Jesus de forma antecipada. A natureza humana é simbolizada na figura de Maria, na certeza de que o bem vence o mal, é uma perspectiva antropológica positiva da humanidade.

Algumas pessoas afirmam que, se Maria não tinha pecado, então onde está o seu mérito? Ela não teria lutas a travar como qualquer ser humano tem. Ela não é humana?

O estado de Maria é o estado do homem no paraíso, ele não tinha pecado, mas o homem pecou na sua liberdade concedida por Deus. Maria fora preservada, mas também ela tinha a liberdade de acolher, corresponder ao desígnio de Deus para a sua vida. A grande virtude de Maria está no fato de ter permanecido fiel a vida inteira.

Outro engano está em confundir não ter a mancha do pecado e evolução de vida. Maria não tinha pecado, também não nasceu pronta, também aprendeu a obediência, certamente como seu Filho, ela também não compreendeu todas as coisas, mas obedeceu; foi a obediência de Maria, semelhante a de Jesus, que constituiu o seu grande mérito.

A riqueza de graças em Maria não impediu que ela vivesse de fé e esperança, em meio às lutas e dores. A sua fé inspirou-lhe a obediência incondicional a Deus, que lhe pedia doação, cada vez mais generosa, até à extrema entrega de seu Filho pregado na cruz, quando se abandonou a Deus sem reservas, tornando-se, assim, a “Rainha dos Mártires”.

Maria é modelo para a Igreja de fé e de caridade, sendo a sua realização absoluta, tornando-se typus da Igreja, ou seja, tipo, modelo da Igreja: “Nela o cristão encontra um espelho onde pode mirar-se para voltar a conquistar sua identidade e para encurtar a distância existente entre sua realidade e o projeto de Deus sobre ele”.

Irmã Maria do Rosário Pereira
Consagrada na Comunidade de Vida Doce Mãe de Deus

Legenda

Cf. Gl. 4, 4.
Cf. Catecismo da Igreja Católica, 702
Cf. Lc. 1, 35.
Cf. Mt. 1, 20; Lc. 1, 35. É o que significa o conteúdo da expressão “concebido pelo poder do Espírito Santo”, tal concepção não foi como em uma concepção natural.
Cf. Dicionário Bíblico, p. 585.
Cf. Dicionário de Catequética, p. 713.
Ser desposada trata-se de um compromisso de casamento, isto é, de noivado, mas o noivado judaico era um compromisso tão real que o noivo já se dizia “marido” e não podia desfazê-lo senão por um repúdio. Cf. Bíblia de Jerusalém em nota de rodapé de Mt. 1, 18.
O Dicionário de Catequética ao tratar de Maria na Bíblia, cita três elementos do Antigo Testamento fundamentais para se compreender a pessoa de Maria nos relatos do Novo Testamento. São eles: Figuras relevantes do Antigo Testamento, que corresponde às mulheres que citamos acima; Esquemas antropológicos e literários do Antigo Testamento, por exemplo, o esquema das vocações e anúncios que se assemelham ao de Maria e substrato cultural e teológico, que está em dois sentidos: por um lado Maria está dentro dos esquemas culturais, ao mesmo tempo, ela tem aspectos contraculturais, ou seja, está à frente de sua cultura. Por exemplo, se entendia na cultura israelita que quem gerava era o varão. No caso de Jesus os autores sagrados afirmavam incontestavelmente que a sua concepção é obra do Espírito Santo e que é de Maria somente a geração humana. Cf. Dicionário de Catequética, p. 714.
Cf. Jo. 2, 1-12; 19, 25-27. O título de “mulher” com o qual Jesus se dirige a Maria não se encontra paralelos na literatura grega como comportamento de um filho com relação à sua mãe. Essas expressões são próprias do ensinamento primitivo da Igreja. Cf. Dicionário Bíblico, p. 586.
Cf. Dicionário de Catequética, p. 714.
Cf. Gn. 18, 10-14; 21, 1-2.
Cf. Dicionário de Catequética, p. 714.
Cf. Lc. 1, 42.
Cf. Dicionário de Catequética, p. 718.
Cf. Dicionário de Espiritualidade, p. 697.

Fonte:www.docemaededeus.com