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Das conseqüências do pecado, mas era preciso fazê-lo
com o amor a Deus e o repúdio ao pecado que encorajavam os penitentes
da Igreja Antiga. Vê-se, pois, que era (e muito difícil ganhar
indulgências).
Mas ninguém podia (Ou pode> ganhar indulgência sem que
tivesse (Ou tenha> anteriormente confessado as suas faltas e houvesse
(Ou haja> recebido o perdão das mesmas. A instituição
das indulgências não tinha em vista apagar os pecados, mas
contribuir (mediante a provocação de um ato de grande amor)
para eliminar as conseqüências ou os resquícios do pecado.
Por conseguinte, a Igreja nunca vendeu o perdão dos pecados nem
vendeu indulgência. O perdão dos pecados sempre foi pré-requisito
para as indulgências. Quando a Igreja indulgenciava a prática
de esmolas, não tencionava dizer que o dinheiro produz efeitos
mágicos, mas queria apenas estimular a caridade ou as disposições
¡intimas do cristão para que conseguisse libertar-se das
escórias remanescentes do pecado. Não h dúvida, por‚m,
de que pregadores populares e muitos fiéis cristãos dos
séculos XV e XVI usaram de linguagem inadequada ou errônea
ao falar de indulgências. Foi o que deu ocasião aos protestos
de Lutero e dos reformadores.
4> As indulgências podem ser adquiridas também em favor
das almas do purga tório. Estas precisam de se libertar das escórias
dos pecados com as quais deixaram a vida presente; para tanto, necessitam
da graça de Deus, que os fiéis viventes neste mundo podem
solicitar mediante a prática de boas obras indulgenciadas. Todos
os fiéis que foram enxertados em Cristo pelo Batismo e vivem em
plena comunhão com a Igreja, constituem uma grande família,
solidária e unida em si pela caridade. Em conseqüência,
os méritos de uns redundam em benefício de outros; os atos
satisfatórios que as almas retas prestam a Deus, podem auxiliar
a outros cristãos, que precisem de expiar, seja aqui na terra,
seja no purgatório. Em outros termos: pelas nossas preces, pelas
nossas boas obras
e pelos nossos atos de mortificação, unidos aos m‚ritos
de Cristo, podemos ser úteis não só a nós
mesmos, mas também aos nossos irmãos, que devem prestar
satisfação a Deus por seus pecados. E esta solidariedade
que se chama "Comunhão dos Santos". Esta expressão
designa a comunhão de bens espirituais ou de coisas santas segundo
a qual vivem os filhos da Igreja. "Uma alma que se eleva (que se
enriquece de Deus), eleva o mundo inteiro.' (Elizabeth Leseur>.
Eis como se deve entender a pratica das indulgências, até
hoje recomendada pela S. Igreja, mas freqüentemente mal entendida.
Voltemos agora … história de Lutero.
Afim de custear a construção da nova basílica de
5. Pedro em Roma, Júlio II em 1507 e Leão X em 1514pro~~lgaramindulgˆnc¡a
plenária para qualquer cristão que recebesse os sacramentos
e desse esmola: Foi nomeado Comissário da indulgência para
grande parte da Alemanha em 1515o«6vem príncipe Alberto de
Brandenburgo, desde 1513 arcebispo de Magdeburgo ˆadministrador do bispado
de Halberstadt, desde 1514 também arcebispo de Mog£ncia.
Alberto era homem frívolo e mundano; contraíra uma dívida
de 29.000 florins com os banqueiros Fugger de Augsburgo a fim de pagar
as taxas de vidas … Santa Sé por estar acumulando três bispados;
então, de acordo com os represen- tantes papais, resolveu que metade
das esmolas indulgenciadas ficaria para a construção da
Basílica de São Pedro, enquanto a outra metade serviria
para saldar a divida junto aos banqueiros.
Enquanto no Ocidente o Cristianismo se propagava sempre mais, no Oriente
e no Norte de África sofreu sérias restrições
por parte do Islamismo fundado no século VII.
A pessoa de Maomé
Maomé (Muhammad-ibn-Abddallag-ibn-Mottalib) nasceu em Meca (Arábia
Central) provavelmente em 580. Faleceu com pouco mais de 50 anos, em 632.
Desde adolescente, viajava com seu tio comerciante em caravanas pela Arábia,
a Assíria e a Mesopotâmia, o que lhe proporcionou o contato
com judeus e cristãos.
Por volta de 610/611, Maomé efetuou sua “conversão”. Profundamente
impressionado pela desunião dos homens entre si, tornava-se cada
vez mais meditativo: entregava-se às severas práticas de
mortificação e retirava-se para a montanha a fim de rezar
à sós. Certa vez, na “Noite do Destino”, terá tido
uma visão: em sonho, um estranho personagem lhe apareceu trazendo
nas mãos um rolo de pano coberto de sinais e mandando-lhe que lesse;
após relutar contra esta ordem no sonho, Maomé acordou,
consciente de que finalmente um livro descera em seu coração.
Percebia uma voz que lhe falava em nome de Deus, atribuindo-lhe a missão
de reformar as crenças, pôr termo à idolatria e às
disputas religiosas do seu povo, indicando a todos o caminho do céu.
Muito perturbado. contou o ocorrido a sua esposa Kadija, que foi consultar
um primo seu, Varaka, homem sensato e culto, que exclamou: “Deus o escolhe
para ser o profeta na nova fé!” Após repetidas visões,
ignorando quem era o personagem que lhe aparecia, Maomé julgava-se
perseguido por espíritos e pensava em suicidar-se, quando, certa
vez, a estranha voz lhe declarou: “Sou o Anjo Gabriel e tu será
o Apóstolo do Senhor”.
Doravante, “o iluminado” pôs-se a pregar nova forma de religião:
o “islã” ou, em árabe, a Submissão, Dedicação
à Vontade de Deus. Maomé apoiava-se na fé em um só
Deus, Allah, criticando os cultos pagãos, predizendo iminente catástrofe
e apresentando reivindicações sociais em favor dos pobres.
Tais proposições só fizeram irritar a aristocracia
de Meca, de sorte que Maomé granjeou para si adversários
cada vez mais hostis, temerosos pela sorte de seus ídolos e de
suas rendas comerciais. Resolveu então transferir-se para a cidade
de Medina na noite de 16/07/622. Tal acontecimento tomou o nome de Hidjra
ou Hegira, Fuga, e assinala o início da era maometana.
Em Medina, Maomé, apoiado pela população local,
revelou dotes de hábil chefe político. Visando a unir uma
só população coesa seus compatriotas árabes,
começou a estender o seu domínio por meio de expedições
de ataque a caravanas comerciais. Os sucessos obtidos iam lhe assegurando
crescente números de adeptos, até que finalmente em 629
Maomé conseguiu entrar em Meca e tomou posse do famoso santuário
desta cidade dito “a Caaba”, donde removeu ídolos. Nos anos seguintes,
foi dilatando o seu poder mediante guerras. Finalmente, aos 08/06/632,
veio a morrer. A sua obra estava suficientemente adiantada para desertar
a consciência religiosa e nacional dos árabes e lançá-los,
coesos, à conquista de numerosas nações estrangeiras
mediante a prática da “guerra santa”.
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