MÁRTIR BRASILEIRA

 

BEM-AVENTURA IRMÃ LINDALVA JUSTO DE OLIVEIRA, FC

 


A Irmã Lindalva Justo de Oliveira nasceu em  20 de outubro de 1953, no seio de uma família camponesa do municio de Açu, no Rio Grande do Norte,  e recebeu as águas batismais três meses depois de vir à luz.
O pai, João Justo da Fé, pequeno proprietário, cultivava seu sítio para manter uma família numerosa de 16 filhos. Era homem piedoso e de caráter forte. Maria Lúcia, a mãe, tinha consciência do compromisso que assumira ao contrair matrimônio: a formação dos filhos.
Desde criança Lindalva demonstrava propensão para ajudar os outros e se sensibilizava com o sofrimento alheio. Revelando-se  uma menina muito madura para sua jovem idade, tinha consciência do sacrifício dos pais para manter e educar a numerosa prole, e queria auxiliá-los de alguma forma. Assim, estava sempre disponível para ajudar à mãe, aprendendo muito cedo a cozinhar e a costurar.
Os filhos cresceram, precisavam estudar e as exigências aumentaram. João decidiu mudar-se para Açu. Lindalva cursava o Ensino Fundamental e trabalhava como babá na Casa de uma família abastada.
Quando nasceu a primeira filha do irmão mais velho, que se casara e morava em Natal, foi viver com ele nessa capital, onde ajudava à jovem mãe e continuava seus estudos.  Empregou-se como auxiliar de escritório e levava uma vida como qualquer moça de bons princípios. Não pensava em casar-se e prestava serviços como voluntária num abrigo para idosos, mantido pelas Filhas da Caridade.

 

Vocação


Começou a estudar enfermagem para poder doar-se mais e tomou a grande decisão de sua vida:  em setembro de 1987, escreveu à Provincial das Filhas da Caridade, pedindo admissão como postulante.
Admitida dois meses depois, foi enviada para fazer o postulantado na comunidade do Educandário  Santa Teresa, em Olinda, Pernambuco. O testemunho de suas superioras durante essa fase foi sempre de admiração por sua disponibilidade, humildade e alegria na doação aos outros, quer aos pobres ou idosos, quer às outras irmãs, na vida comunitária.

Progredia na vida interior, entregando-se mais e mais nas mãos d’Aquele ao qual se havia abandonado, confiando-lhe inteiramente seu destino.
Sua oração preferida era o Rosário. Levava o terço sempre à mão e aproveitava qualquer tempo livre para recitá-lo.
Sob o olhar atento das superioras, foi admitida no noviciado, dando um passo mais decidido na entrega a Jesus, dentro do carisma de sua Congregação: o serviço aos pobres e necessitados.
Findo o tempo do noviciado, em 26 de janeiro de 1991, Irmã Lindalva foi enviada para um abrigo de idosos em Salvador, capital da Bahia. Recebeu a incumbência de cuidar do pavilhão São Francisco, com 40 idosos, situado no primeiro andar de um imponente prédio.
Em pouco tempo cativou sua superiora e as companheiras de hábito, bem como os velhinhos, com seu jeito alegre de ser e o perfume da santidade de sua presença.


Martírio


Os problemas começaram em janeiro de 1993, quando ali foi admitido Augusto da Silva Peixoto. Com apenas 46 anos, não tinha ele idade para estar num estabelecimento de caridade para anciãos, mas as freiras tiveram de aceitá-lo, por motivos políticos. Alojaram-no no pavilhão a cargo da Irmã Lindalva.
Homem destituído de princípios religiosos e morais, Augusto interessou-se com más intenções por aquela freira de vida ilibada e passou a assediá-la de modo insistente e inconveniente.
Na segunda-feira da Semana Santa, esse nefando personagem comprou no mercado popular um facão de pescador, com a intenção deliberada de matar aquela religiosa que opunha intransponível barreira a seus péssimos intuitos.
Durante toda a semana, Irmã Lindalva participara, ao raiar da aurora, da Via Sacra na paróquia da Boa Viagem.
No dia 9 de abril de 1993, quando voltou da Via Sacra, dirigiu-se ao refeitório para cumprir sua tarefa de servir o café da manhã aos velhinhos, sem notar a presença de Augusto sentado num dos bancos do jardim. Este, que a esperava, subiu atrás dela, entrou pela porta dos fundos  do salão e atacou-a pelas constas, a golpes de facão, numa fúria insana e diabólica. Recebeu ao todo 44 golpes.
Enquanto limpava na própria roupa a arma tingida pelo sangue inocente. O criminoso ensandecido rugia: “Nunca cedeu! Está aqui a recompensa...”.  Testemunhava, assim, que Irmã Lindalva havia dado sua vida como prova de amor a Deus, por conservar intacta sua pureza, num verdadeiro martírio do qual os próprios internos davam testemunho.

Beatificação


A Igreja proclamou-a Bem-aventurada em 02 de dezembro de 2007, durante cerimônia realizada no Estádio Manoel Barradas, em Salvador.

 

Fonte: Texto baseado em artigo da Revista Arautos do Evangelho, nº 100, abril 2010.