MARIA - TESTEMUNHOS

 

Francisco Almeida Araújo, Ex-Pastor Batista 

Nossa Senhora possui muitos títulos. Afinal, Ela é Rainha por ser Mãe do Rei dos Reis, Nosso Senhor Jesus Cristo. Como Rainha, é natural que tenha tantos títulos, sendo, no entanto, Ela, a única e mesma pessoa. 

Esse inusitado e até exótico título, "Nossa Senhora do Marrom Glacê", estou dando para narrar um pouco do muito amor que a Virgem Maria tem demonstrado por mim, pobre pecador. Seria longo, contar todo o meu itinerário religioso. Não cabe fazê-lo neste artigo. Pretendo contar toda a minha vida num livrete que estou preparando. Há certas passagens desse itinerário de que não posso me orgulhar. São tempos de contradição, paradoxais mesmo. Sei, no entanto, que Deus me permitiu tantas experiências para, hoje, reconhecer Sua Misericórdia e poder melhor orientar alguns irmãos. 

Na minha ignorância escrevi, ensinei e preguei contra a Igreja, o Papa, seus Ministros, a Eucaristia, a Virgem Maria.... Tempos obscuros esses, de cegueira espiritual. 

Nessa caminhada cheguei a ser ordenado pastor protestante e professor de teologia em algumas faculdades dos protestantes. 

- Por que deixou de ser protestante e agora Católico pela graça de Deus? 

É o que pretendo narrar aqui, mesmo que de forma muito resumida. Tudo aconteceu num domingo de manhã. A igreja que eu pastoreava estava cheia. Logo após a escola dominical, teríamos a chamada ceia do senhor. Após belos cânticos, como pastor, abri a Bíblia, para pregar antes da ceia. Como de costume, abri em 1Cor 11,23-32, passagem que eu já havia pregado tantas vezes, que tinha estudado com seriedade. Ao ler os versículos 23 e 24: "Eu recebi do Senhor o que vos transmitir: que o Senhor Jesus na noite em que foi traído, tomou o pão, e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: "ISTO É O MEU CORPO QUE ENTREGUE POR VÓS..." Volto a afirmar: quantas vezes havia lido, estudado e pregado esse texto! Mas nesse domingo foi diferente. As Palavras do Senhor falaram fundo ao meu coração: "ISTO É O MEU CORPO". 

Eu havia aprendido com meus professores de teologia, estudado nos compêndios clássicos da teologia protestante que o texto devia ser entendido como "representa" o meu corpo, "simboliza" o meu corpo. Eu havia aprendido ainda que tudo aquilo era um mero memorial, nem mesmo era Sacramento, mas uma simples ordenança... 

Mas ali estava a Palavra de Deus dizendo claramente: "Isto é o meu Corpo". Perturbado, continuei a celebração, sem deixar transparecer tudo o que se passava em meu coração. Sem nada revelar a ninguém, iniciei um estudo mais sério, mais cuidadoso, sobre o assunto. Li e reli várias vezes os Evangelhos e todo o restante do Novo Testamento, em busca de uma resposta que apagasse aquela dúvida em minha alma. 

Após dois anos de estudos, regados de lágrimas e orações, estando um dia de joelhos em meu quarto, a sós, com a Bíblia aberta sobre a cama, estudando o Evangelho de São João 6,25-71, descobri a maravilhosa verdade sobre a Eucaristia. Caí em prantos de alegria. Havia, há poucas horas, me ajoelhado como pastor protestante, embora com o coração aflito, cheio de dúvidas, e eis que agora me levantava como Católico Apostólico Romano! 

Deus seja Bendito para sempre! 

Eu sabia que somente a Igreja Católica ensinava a verdade sobre a Eucaristia: a Presença Real de Cristo na Hóstia e no Vinho consagrados. É uma longa história contar como foi a minha confissão para a minha esposa e filhos... Todos bem integrados no Protestantismo. Dois de meus filhos - os mais velhos - eram co-pastores em Curitiba. Uma filha estudava teologia e um outro filho trabalhava também no meio protestante. Também a reação dos meus irmãos protestantes. O que devo dizer é que sofri muito... Minha família também. Fui então, procurar um Padre e confessar a ele minha decisão e também dúvidas sobre tantos outros assuntos como: imagens, Purgatório, Comunhão dos Santos, Virgindade Perpétua de Nossa Senhora.... Deus me guiou ao bom Monsenhor José Lélio Mendes Ferreira, pároco da Igreja São João Batista, em Atibaia, Estado de São Paulo. Ele me recebeu com muito amor e atenção, o que é próprio desse servo do Deus Altíssimo. Apresentou-me ao piedoso e culto Bispo, meu grande e bom amigo, Dom Antonio Pedro Misiara. 

Fiz minha caminhada até eu receber Jesus Eucarístico e ver os filhos fazendo a primeira Comunhão. 

Quando deixei os protestantes era mês de outubro. Fiquei, portanto, desempregado... Logo as economias se acabaram. Não conseguia emprego, embora fosse professor formado em três cursos universitários. Tudo isso porque era final de ano letivo. Sem que Monsenhor Lélio soubesse, eu e minha família ficamos sem alimentos... Como morávamos numa chácara, passamos a comer mandioca que ali existia. fiz até um versinho na época: "Mandioca no almoço, mandioca no jantar, mandioca todo o dia, mandioca sem sar"(isto é, sem sal - sar rima com jantar). Acabaram-se as boas amigas mandiocas e ficamos dois ou três dias sem alimento algum. Rezávamos intensamente pedindo a ajuda de Deus. Ninguém o sabia, e muito menos os meus irmãos protestantes, pois se o soubessem, diriam: é castigo de Deus. 

Naquele momento, e com muito estudo, por estar desempregado, descobri na Palavra de Deus - a Bíblia - todas as maravilhosas verdades sobre a Virgem Maria e sobre a Santa Doutrina de nossa Igreja Católica. Tudo obra da Graça de Deus. 

Num desses dias de jejum forçado, uma das minhas filhas, a Susan (na época tínhamos oito filhos e hoje nove, graças a Deus),me disse: "Papai, eu estou morrendo de fome, mas, sinceramente, o meu maior desejo era comer um bom pedaço de "marrom glacê". É o doce preferido dela. Em resposta e sem pensar, lhe disse: "Pois vá ao seu quarto, dobre seus joelhos e peça à Virgem Maria uma lata de marrom glacê". Ela respondeu-me firme: "Pois eu vou pedir agora mesmo, e quero ver se a Virgem Maria ouve mesmo orações". Um esclarecimento: já éramos Católicos, mas dado ao bloqueio psicológico, devido aos anos de pregações ouvidas e livros lidos contra Nossa Senhora, não éramos capazes de rezar a "Ave Maria" ou outra oração mariana. Tinha Nossa Senhora na mente, mas sabia que faltava vir ao coração. Eu não sei, confesso-o como eu posso transmitir aqui o que se passava comigo nesse sentido. Espero que o leitor entenda. Voltando ao momento em que ouvi aquela resposta de minha filha Susan, minha esposa que também ouviu o que havia dado como resposta a Susan, disse-me: "Você não devia ter dito isso, pois a Susan pode pedir uma lata de doce marrom glacê e não receber. Quem sabe Deus quer provar mais ainda nossa fé". Ela tinha razão, e razão muito séria, o narrarei melhor em outra obra. Respondi, então, à minha esposa: "Vamos então para o nosso quarto pedir à Nossa Senhora que não permita a Susan perder sua fé, tão nova e ainda pequena". Susan já estava fazendo o pedido no seu quarto. Eu e minha esposa ajoelhamos em nosso quarto, e pela primeira vez, rezamos uma "Ave Maria" e uma oração espontânea dirigida à Nossa Senhora. Pedimos que guardasse a fé da Susan. É claro que não pedimos o marrom glacê. 

No outro dia de manhã alguém bate palmas lá no portão de entrada de nossa chácara. Pelo vitral vi que era um jovem de barba e com um crucifixo bem visível pendurado ao pescoço. Vi logo que não eram protestantes que novamente vinham para discutir Bíblia comigo, na vã tentativa de demover-me de ir para a Igreja Católica. Meu filho Aldem correu e abriu o portão. O jovem desconhecido fazia-se acompanhar de uma também jovem senhora. Estavam num "fusca" amarelo. Eu, esposa e filhos estávamos na varanda para recebê-los. O jovem então disse: "Pastor Francisco, eu sou o Padre José Carlos Brilha (o meu bom amigo, Padre Brilha) e essa é "Magui"(carinhoso apelido de Maria Guilhermina Michele)". Disse, então, do prazer em conhecê-los. Logo na varanda, vi quando a Magui, virando-se para o Padre Brilha, lhe disse: "Padre, diga ao pastor o que viemos fazer aqui". O Padre respondeu: "Diga você, pois foi com você que Deus falou". E ela, com jeito encabulado, me disse: "Olha, pastor, não sei como o senhor vai entender o que agora vou lhe dizer. Essa noite que passou eu tive por duas ou três vezes sonhos ou pesadelos com o senhor, não sei. Sonhei que alguém me dizia: leve alimentos na casa do pastor Francisco! Não sei o que o senhor pensa, mas não leve a mal, eu e minha irmã Regina fomos ao supermercado, fizemos uma boa compra e aqui trazemos para o senhor". 

Mal acabando de dizer essas palavras, abriu a porta do seu carro, do lado do motorista, reclinou o banco e de uma das caixas que se encontravam sobre o banco traseiro, retirou uma lata e olhando para a minha filha Susan, disse: "E essa lata de doce foi Nossa Senhora que lhe mandou". Era uma lata de marrom glacê! 

Com voz embargada pela emoção, disse àquela senhora: "A senhora sonhou isto também? A senhora sonhou que devia trazer uma lata de marrom glacê e dá-la para minha filha Susan? Ela respondeu: "Isso não, eu apenas peguei agora essa lata e dei para sua filha". Oito filhos, e abaixo de Susan um filho e uma filhinha, por que logo a Susan? Sim, eu sei a resposta, era a Mãe do Céu que queria entrar no meu coração, no coração daquela família. Não bastava tê-la em nossa mente. Aquele momento foi de lágrimas e de louvor ao Altíssimo Deus por nos ter dado tão sublima Mãe. Naquele momento, nosso amor e nossa Fé na Virgem Maria cresceu profundamente. Foi como o desabrochar de uma flor. Desde aquela data, estamos trabalhando no Reino de Deus, falando das glórias da Virgem Maria onde quer que vamos. Muitas e muitas graças eu e minha família temos recebido pelas mãos de Nossa Senhora. Pelas mãos da Mãe do Céu viemos residir em Anápolis, Goiás, e aqui pelas mãos santas do nosso muito amado Bispo Dom Manuel Pestana Filho, esse culto e inteligente defensor da Sã Doutrina, nosso orientador espiritual, nosso líder na Fé, recebemos a ordenação ao Diaconato Permanente. Somos Diácono de Cristo a serviço de Nossa Senhora. Sou Diácono da Virgem Maria, Glória a Deus! 

Penso que os leitores entenderam agora a razão do título que dei à Virgem Maria neste artigo. Voltaremos se Deus nos permitir, a falar das glórias da Virgem Maria.

Srª Irma Themis

Desde criança fui membro da Igreja Presbiteriana e era muito feliz. Trabalhava como superintendente em uma escola dominical e tinha um único filho de meu casamento, que não foi bem sucedido. Meu esposo era doente mental e logo no primeiro ano de casamento precisou afastar-se. Aos quatorze anos, meu filho começou a ficar doente: tratava-se de uma anemia que não sarava, até que o médico descobriu que não era anemia o que ele tinha, mas uma leucemia que estava muito adiantada e que não tinha mais cura.

Nesse tempo eu tinha onze crianças carentes em casa e achava que isso já era obra bastante grande. Não imaginava que muitas outras coisas ainda aconteceriam. Então comecei o tratamento do meu filho com o Dr. Simbra Neli, um cientista muito importante no Brasil. O meu filho tinha tumores pelo corpo todo, inclusive no olho e no ouvido direito e não enxergava nem ouvia mais.

Quando chegamos perto da Páscoa ele disse: “Mãe, eu queria que você fosse ao colégio em que estudo, eu lecionava nesse colégio pela manhã; no fundo do quintal tem uma gruta e tem uma imagem que eu não sei de quem é, mas os meninos católicos acendem velas dessa imagem para passar de ano e a imagem está muito suja”. Eu pintava pequenas peças de gesso durante a noite para dar conta do sustento das onze crianças e do tratamento dele. Então ele continuou: “Você pega aquela imagem e pintas para eu deixar de lembrança para o colégio”.

Naquele momento eu senti emoções muito contraditórias, porque o meu filho estava morrendo e eu não podia negar-lhe nada, mas pintar uma imagem era realmente muito desagradável para mim, sendo protestante, de princípios muito bem plantados. Mas fui buscar a imagem.

Era uma imagem grande, tinha mais de 80 cm, tinha as mãos abertas e estava muito suja. Eu a peguei pela cabaça e pus embaixo do braço; a diretora disse: “Ah! Themis, você não pode levar a Nossa Senhora das Graças debaixo do braço!”. Então fiquei sabendo que era uma imagem de Nossa Senhora das Graças. Para mim, pouca diferença fazia, eu queria mais que a imagem caísse e quebrasse. Cheguei em casa, pus a imagem em cima da mesa e comecei a limpá-la.

Meia-noite eu devia dar remédio para o meu filho. Ele tinha uma febre que subia muito e caía de repente. Então, de duas em duas horas eu tinha que lhe dar remédio, de dia e de noite. Quando o toquei percebi que estava queimando de febre. Ele olhou para a imagem em cima da mesa e disse: “Puxa, como essa imagem está linda!” E eu pensei que estivesse delirando por causa da febre, porque era um menino criado na igreja Presbiteriana, que nunca tinha entrado num Igreja Católica. E continuou: “Vou fazer um voto para Nossa Senhora”. Eu senti todo o meu ser se revoltar porque protestantes não fazem votos. Mas o fato é que meu filho fez o seguinte voto: “Pelo tempo em que viver, seja muito ou pouco, quero que a minha vida sirva a Deus e quero ter uma imagem igual a essa em casa para eu me lembrar disso”. Ele voltou a dormir, porque quando tomava o remédio a febre baixava e ele dormia de novo. Foi então que entrei num grande conflito de fé, porque não poderia ser fiel à minha fé e deixar que meu filho fizesse um voto a Nossa Senhora, e muito menos ter uma imagem dela em casa, se eu era a primeira a fazer grandes palestras sobre a inutilidade de se olhar para Nossa Senhora.

Comecei então a caminhar pela casa, muito nervosa, até que chegou duas horas da manhã e fui dar o remédio para o meu filho; mas, quando pus a mão nele, de novo, tomei um susto: pensei que estava morrendo, porque a temperatura estava normal e tinham sumido todos os tumores do corpo, até o tumor do olho e do ouvido. Ele abriu os olhos, enxergou bem e disse: “Estou ouvindo, não sinto dor, estou curado”. E sem dúvida nenhuma, lá no céu Nossa Senhora deve ter feito naquela noite por mim como fez nas bodas de Caná. Deve ter dito para Jesus: “Jesus, o vinho da vida dessa mulher ignorante acabou e ela não sabe pedir”. E Jesus derramou o vinho da vida. Então eu peguei o meu filho, sem entender nada, e levei-o de volta para o médico. Ele fez todos os exames e ao final me chamou numa sala com os seus assessores e disse: “Você tem que me dizer que remédio deu para ele, porque esse menino estava morto quando saiu daqui”. Eu disse: “Eu dei o seu remédio. A única coisa diferente foi que meu filho fez um voto a Nossa Senhora e quis que rezássemos uma Ave-Maria, mas eu não sei a Ave-Maria, por isso rezamos um Pai-Nosso”. O médico deu uma grande risada e falou: “A reza não tem nada a ver com isso”.

Logo depois fui à minha igreja. Eu tinha um cargo muito importante, eu deveria dar satisfações do meu cargo ao pastor e ao conselho da Igreja, então fui e disse: “Eu quero ficar na igreja Presbiteriana por que gosto muito daqui”. Não quero sair, faço um bom trabalho, mas tenho um pedido: no domingo quero pegar o microfone e dizer para os nossos irmãos protestantes que Maria Santíssima quer e pode interceder por nós. Ela não só faz isso porque não pedimos ela. Ela é mãe dos católicos, é mãe dos evangélicos, é mãe dos espíritas, é mãe dos ateus. Maria Santíssima é a mãe de Jesus e Ele quis, na última hora da sua vida, dividir sua mãe com todos nós. Acontece que alguns filhos têm os corações mais duros e ingratos e passam por ela sem perceber. E isso fazemos nós os evangélicos. Mas, eu quero dizer para eles no domingo que nós devemos voltar para nossa Mãe do Céu. Eles não concordaram que eu dissesse isso e me falaram. “Você vai para casa e fica lá dois ou três meses, lê a Bíblia novamente e depois a gente esquece tudo isso”. Aceitei, porque de fato eu precisava de um tempo.

Fui, portanto, para casa, li a Bíblia de novo e, naquela mesma Bíblia onde eu já havia decorado grandes trechos, encontrei e entendi a Eucaristia. No Evangelho de São João, Jesus dizia para mim: “O meu corpo é verdade comida, o meu sangue é verdade bebida, quem come da minha carne e bebe do meu sangue viverá para sempre”. Eu fiquei muito mais apaixonada por Jesus. Foi então que fui correndo para a Igreja e disse aos meus irmãos do conselho: “Eu quero ficar na igreja Evangélica, não quero sair, mas agora em vez de um problema nós temos dois, porque eu quero ficar com Maria Santíssima e com a Eucaristia. Eu quero colocar um sacrário na nossa igreja e que nós aprendamos alguma coisa sobre o Cristo maravilhoso que é vida, que vem fazer parte do meu corpo, do meu sangue, da minha alma, da minha humanidade e vem me transformar em verdadeiro sacrário. Posso carregá-lo no meio dos outros homens”. Evidentemente eles não aceitaram, porque se aceitassem converter-se-iam todos ao catolicismo.

Nós nos retiramos da igreja Presbiteriana, fomos batizados na Igreja Católica, fizemos a Primeira Comunhão, eu, meu filho e as onze crianças que moravam comigo. O colégio nos deu de presente aquela imagem que eu havia pintado. O meu filho esteve num seminário onde fez até o segundo ano de Teologia, mas depois, de acordo com o bispo, voltou para casa. Hoje é casado, tem três filhos e me ajuda na casa, dirigindo o carro, levando as crianças para todo lugar.

Atualmente temos um orfanato com trezentas crianças. A partir do momento em que eu consagrei a casa a Nossa Senhora, deixei-me levar de fato por Jesus e pedi ao bispo para colocar um sacrário dentro de casa, fazendo com que Jesus passasse a viver com a gente, aquelas onze crianças se transformaram em trezentas. Graças a Deus! Agora estamos aumentando o trabalho, estendendo o orfanato para um asilo de sessenta velhinhos desabrigados.

Conversão de uma Igreja Inteira

Quando o rev. Alex Jones prega, sua voz cheia de profunda sensibilidade ressoa fora do ambiente da cúpula branca da Igreja Cristã Maranatha, na avenida Oakman, no oeste de Detroit. Entretanto, assim não acontecerá mais por muito tempo: o espaçoso e formalmente ornado templo Ortodoxo Grego foi vendido. Isto porque a Congregação, predominantemente afro-americana, se reduziu de 200 para 80 nos últimos dois anos, pois o pastor Jones, 58 anos, trocou o culto Pentecostal por uma réplica da Missa Católica.

E no domingo, 4 de junho, celebrando a Unidade Cristã e a Ascensão do Senhor, a Congregação decidiu, por 39 votos a favor e 19 contra, os próximos passos necessários para se tornar Católica. Sua história é uma jornada de fé que está cheia de surpresas, angústias, dúvidas, amor e alegria.

"Está Doido?"

"Eu pensava que algum espírito se apoderara dele", diz Linda Stewart sobre seu tio Alex, pastor da Igreja Maranatha (que em aramaico significa "o Senhor vem"). "Pensava que nessa procura pela verdade ele se extraviara e perdera a cabeça". A razão para a preocupação de Linda Stewart era que seu tio, tido como um pai por ela desde o falecimento de seu verdadeiro pai há alguns anos, trocara o estudo da Bíblia, realizado às quartas-feiras, pelo estudo dos primitivos Padres da Igreja. E gradualmente foi trocando o culto dominical por um definitivo retorno à Missa Católica: ajoelhar-se, Sinal da Cruz, Credo de Nicéia, celebração Eucarística - todos os nove passos. "Tínhamos aprendido que a Igreja Católica era a grande prostituta", explicou Linda. "Tínhamos aprendido que o Papa era o anticristo... Maria? Maria? De modo algum! Éramos felizes e seguíamos em frente, seguíamos exatamente a Jesus e, então, lá ele veio e nos torceu com uma chave-inglesa. Eu estava triste" - disse Stewart - "e pensava: 'está doido se julga que iremos cair nessa!'"

O princípio de tudo isso ocorrera há alguns anos, quando Jones assistira a um debate entre o anti-católico David Hunt e o apologista Karl Keating no show de rádio "Catholic Answers" ("Respostas Católicas").

Keating fizera uma pergunta profunda: "Em quem você acredita no caso de um acidente: naquele que ali estava como testemunha ocular ou naquele que apareceu após se passar anos?" Para aprender sobre a Primitiva Igreja Cristã, Keating acentuou que era necessário ler os Padres da Igreja Primitiva, que estavam lá desde o começo.

"Isso fazia sentido, mas eu ainda não estava maduro para mudar", diz rev. Jones. "Guardei isso no meu coração e ponderei; mas tudo não me fez sentido até que li os Padres e constatei uma Cristandade que não tínhamos na nossa igreja".

A Mudança

Rev. Jones estava começando... "Percebi que o centro do culto não era a pregação nem as celebrações dos dons do Espírito, mas a Eucaristia como o Corpo e Sangue de Cristo presente" - diz.

No começo do verão de 1998 o pastor Jones, com seu estudo da Bíblia nas quartas-feiras, decidiu reativar o culto da Igreja Primitiva. Um mês mais tarde, Jones passou a realizar uma celebração eucarística todos os domingos. "Minha Congregação considerou isso ridículo" - ele recorda. "Eles julgavam que uma vez por mês era o suficiente. Reconheci que o povo queria soltar sua voz repleta de tristeza" - diz.

Somadas aos usos teológicos, havia diferenças raciais, culturais e sociais para que concordassem. "A única instituição negra afro-americana própria é a igreja" - diz Jones. "Quando você abre mão dela e vai para uma instituição própria branca, que é insensível às necessidades dos negros americanos, não fica fácil".

O livro "Cruzando o Tibet", de Steve Ray, professor de Bíblia em Milão, proporcionou a Jones ensinamentos das Escrituras sobre o Batismo e a Eucaristia. Jones reportou-se a Ray quando procurou o Seminário do Sagrado Coração e falou com Bil Riordan, anteriormente professor de teologia ali. Começou a se encontrar com Ray de forma regular e a dialogar quase diariamente por telefone ou e-mail. O estudo da Bíblia às quartas-feiras de Jones se tornou um estudo sobre os primitivos Padres da Igreja, sobre o Catecismo Católico, Maria, os santos, o purgatório, a teologia sacramental e o desenvolvimento da doutrina.

"Comecei a deixar de lado a Sola Scriptura (Somente a Bíblia), o coração e a alma da fé protestante" - diz Jones.

O povo começou a sair

Até a sobrinha de Jones pensou assim. "Cada Domingo ia para casa e dizia: 'Este é o meu último Domingo. Vou sair e não voltar mais lá". Mas, diz Stewart, como confiava que seu tio era um homem de Deus, acabava retornando e gradualmente as coisas começaram a fazer sentido. No processo de trocar o serviço de culto da Maranatha, rev. Jones pensou: "Por que eu deveria recriar a roda?" Havia já uma igreja que fazia isso: a Igreja Católica!"

"Comecei por perceber que a igreja da sala superior era a Igreja Católica" - diz Jones. "Todas as demais tiveram uma data de começo e fundador posteriores. Eu encontrara a Igreja de Jesus Cristo e estava querendo perder tudo o mais".

Assim, foi ele testado...

Problemas na frente de casa

"Primeiro pensara que ele fôra atraído pelo excitamento de fazer liturgia como os Primitivos Padres da Igreja" - diz Donna Jones, esposa de Alex, de 33 anos. "Isto parecia coisa temporária. Então, ele começou a trocar as coisas drasticamente e eu comecei a realmente ficar admirada do que estava levando adiante. Fiquei perturbada porque sentia que ele estava indo para o caminho errado".

Muitas vezes, afirma o pastor Jones, sua esposa e seus três filhos adultos, José, Benjamim e Marcos, eram completamente hostis às mudanças. Mas isso não era surpresa.

"Ele havia pregado que a Igreja Católica era cheia de adoração a ídolos" - diz Donna. "Assim, quando começou a abraçá-la, eu disse: 'Há alguma coisa errada aqui'. Ele me prensou na parede".

Alex e Dona começaram a discutir e a debater os usos, muitas vezes nas primeiras horas da manhã.

"Eu comecei a estudar a Igreja Católica porque precisava refutar o que ele estava pregando" - explicou Donna. "Precisava de munição. Mas logo que eu comecei a ler sobre os Padres da Igreja, uma mudança começou a ter lugar no meu coração". No verão de 1998, Dennis Walters, diretor do RCIA (o Rito de Iniciação Cristã para Adultos) da paróquia de Cristo Rei, em Ann Arbor, se encontrou com os Jones na casa de Steve Ray.

"Decidi, antes de deixá-los afundar ou nadar por si mesmos" - diz Walters - "que ofereceria minha ajuda a eles". Walters forneceu-lhes, aos mais velhos e aos diáconos, Catecismos Católicos, e respondia a suas muitas perguntas sobre a doutrina católica. Desde março de 1999, Walters se encontrou com os Jones todas as terças-feiras por 4 ou 5 horas. "Levei a maioria do meu material da RCIA para eles" - diz.

Para Donna, que levantava sempre mais perguntas, "eu fazia as questões que trazia das ruas, para as quais me sentia mais desesperada por respostas, e falava ao Senhor Jesus como se tivesse uma conversa com outro ser humano no carro" - diz ela. "Meus lábios se moviam e eu não dava atenção a quem me via".

Ela lutou com a real possibilidade de que a admissão na Igreja Católica poderia significar a perda do emprego de seu marido. "Assim, eu disse: Senhor o que estou fazendo após 25 anos de ministério? O que há com minhas mãos? Eu não estou preparada para me tornar pedicure ou manicure" - ri. "Então o Espírito Santo me falou no coração: 'Eu não estou questionando sobre a sua concordância. Estou tratando da sua conformação com a imagem de Cristo". Exatamente 8 meses depois, Donna se dirigiu a seu marido numa tarde e anunciou: "Eu sou Católica".

A Conduta Cautelosa de Roma

Mas o processo de admissão na Igreja não é de modo algum tão rápido. A Maranatha comunicou-se com a Arquidiocese de Detroit durante mais de um ano. A Arquidiocese está procedendo com cautela já que há muito a ser estudado, incluindo a RCIA, a situação dos re-casados e as posições do ministério católico adequadas para os ministros do Maranatha.

Ned McGrath, diretor de comunicações da Arquidiocese de Detroit, liberou a mudança à adoção do Credo. "No espírito do Grande Jubileu, o Cardeal Maida e a Arquidiocese se abriram ao questionamento de outros líderes cristãos e/ou suas congregações em perspectiva a possíveis mudanças para associações individuais à Igreja Católica Romana. Até agora esses diálogos podem e devem ser descritos como introdutórios, privados e inconclusivos".

Há algumas semanas, o bispo Máxis Anderson, único bispo afro-americano de Detroit, realiza o culto nos domingos na Maranatha. Após o culto ele responde às perguntas e diz à Congregação que os bispos estão excitados com a situação ocorrida ali. "Ele diz que os bispos discutem tanto porque não querem parecer estar tirando vantagem da situação" - afirma Walters.

Por enquanto, há a possibilidade do pastor Jones entrar para o seminário e se tornar padre ou diácono católico. Pastores casados de outros credos têm feito exatamente isso: Steve Anderson, de White Lake, era padre numa igreja carismática episcopal antes de deixar sua igreja e presbiterato para se unir à Igreja Católica. Casado e pai de três jovens rapazes, Anderson recebeu a permissão de Roma para se tornar um padre católico e entrará no Seminário Maior do Sagrado Coração no outono, para começar três anos de estudos antes de ser ordenado para a Diocese de Lansing.

Ironicamente, Anderson encontrou Jones há alguns anos atrás, por ocasião de um encontro de pastores da área de Detroit, liderado pelos Guardas da Aliança. "Aconteceu que nós nos sentamos próximos um do outro" - diz Anderson. "Não estava planejando me tornar católico naquele tempo. Falamos acerca dos primitivos Padres da Igreja e nos tornamos bons amigos".

Rev. Jones não se perturba sobre seu futuro como ministro. Ele diz que está preparado para fazer o que o cardeal Adam Maida o aconselhe a fazer. "Posso sair e conseguir um emprego agora" - ri Jones. Ele foi professor da escola pública de Detroit por 28 anos, 17 dos quais conjugando esse estudo com seu trabalho pastoral.

Ser ou não ser católico?

Tudo, finalmente, se decidiu com o voto de 4 de junho. A questão: "Você quer tomar os próximos passos necessários para admissão na Igreja Católica?" Logo que a Congregação entrou pelas grandes portas de madeira do Maranatha, todos começaram a colocar seus votos amarelos na urna. Não importava qual o resultado, a família Jones - incluindo os três rapazes e suas famílias - sabiam que continuariam sua caminhada em direção à Igreja Católica. Irromperam aplausos quando a decisão a favor de se tornar católica foi anunciada, mas a vitória foi agridoce.

Jones encorajava os 19 que votaram para não continuar na Congregação, já que ela continuaria com a mudança; mas ele já previra que alguns a deixariam. "Este é o aspecto mais penoso da coisa. Ver pessoas que você ama ir embora porque não entenderam" - diz Jones.

Até mesmo membros das igrejas vizinhas estavam transtornados. "É como se eu tivesse me unido ao inimigo, como se os tivesse traído. Teve gente me chamando de volta, dizendo: 'Eu o amo, estou rezando por você, mas não entendo o que está fazendo'. E não importava quão difícil era você tentar fazê-los entender: eles não queriam ouvir".

Entre esses 19 da Maranatha estava Leola Crittendon, 64 anos. "Sou uma das pioneiras" - ela diz. "É como a morte da igreja. É de cortar coração". Crittendon disse que nunca assistira às reuniões das tardes de quartas-feiras porque sabia que não se tornaria Católica. "Isso não era comigo". O Pastor Jones - diz ela - era como um irmão para ela e para sua família. "Nós o amamos ternamente; desejamos que fique bem e rezamos por ele diariamente; mas a família vai em busca de outra igreja" - diz Crittendon. "O Pastor Jones disse que essa era a vontade de Deus para ele, mas essa não é a vontade de Deus para mim e a minha família".

Para outros foi ocasião de festa: "Estou muito feliz" - diz a sobrinha de Jones, Linda Stewart. "Não posso esperar para entrar em comunhão plena com a Igreja [católica] porque acredito realmente que ela é a Igreja que Cristo deixou aqui e preciso ser parte dessa Igreja".

Diz DeGloria Thompson, uma mãe divorciada com dois adolescentes: "É excitante estar exatamente na linha da Igreja de Cristo".

"Estou pronto" - diz Gregório Clifton, 41 anos, pai de quatro jovens crianças. "Gosto de ir e receber a Eucaristia".

O Reverendo Michael Williams tinha sido durante 12 anos um dos mais velhos da Maranatha. "Sei seguramente, sem qualquer sombra de dúvida, que esta mudança é uma mudança divina e a direção que estamos tomando é uma direção divina".

O rev. Alex Jones também sabe disso. "Este é um trabalho definitivamente do Santo Espírito" - diz. "Quando me foi revelado que esta era sua Igreja, não tive uma decisão difícil a tomar, embora soubesse que custaria tudo" - diz.

Agora há a necessidade de um templo para a nova igreja. Os membros da Maranatha têm 30 dias para encontrar um. Jones não está perturbado. "Confiamos que Deus nos encontrará um" - diz. Para o Pastor Jones e para a Congregação Maranatha, esta história continuará...

TESTEMUNHO SOBRE O TERÇO 

Veja a humildade de uma devota de Maria Santíssima: 

Havia uma senhora muito simples que vendia verduras na vizinhança. Certo dia, tia Joana, conhecida por toda a vizinhança, foi vender suas verduras na casa de um protestante e perdeu o terço no jardim da casa deste. Passados alguns dias, Joana voltou novamente à sua casa. Este veiologo zombar de tia Joana, e dizia para ela: "Você perdeu o seu Deus?" 

Ela humildemente respondeu: "Eu, perder o meu Deus? Nunca!" Ele, então, pegou o terço e disse: "Não é esse o seu Deus?" Ela disse: "Graças a Deus o senhor encontrou meu terço, muito obrigada." Ele disse: "Porque você não troca este cordão com essas sementinhas, pela Bíblia?" Ela respondeu: "Porque a Bíblia eu não sei ler, e com o terço eu medito toda a Palavra de Deus e a guardo no meu coração." Ele disse: Medita a Palavra de Deus? Como assim? Poderia me dizer?" - Respondeu tia Joana, pegando o terço: 

Posso sim. Quando eu pego na cruz, lembro-me que o filho de Deus derramou todo o seu Sangue pregado na cruz para salvar a humanidade. Esta primeira conta grossa me lembra que há só um Deus onipotente. Estas três contar pequenas me lembram as três pessoas da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito santo. Esta conta grossa me faz lembrar a oração que o senhor mesmo nos ensinou, que é o Pai Nosso. O terço tem cinco mistérios, que fazem (lembrar) as cinco chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo cravado na cruz, e cada mistério tem dez Ave-Marias, que me fazem lembrar os Dez Mandamentos que o senhor nos escreveu nas tábuas de Moisés. O Rosário de nossa senhora tem quinze mistérios, que são: cinco gozosos, cinco dolorosos e cinco gloriosos. De manhã, quando me levanto para iniciar minha luta do dia eu rezo os gozosos, lembrando-me do humilde lar de Maria de Nazaré. No meio-dia, no meu cansaço e na fadiga do trabalho, eu rezo os Mistérios Dolorosos que me fazem lembrar a dura caminhada de Jesus Cristo para o Calvário. Quando chega o fim do dia com as lutas todas vencidas, eu rezo os Mistérios Gloriosos, que me fazem lembrar que Jesus venceu a morte para dar salvação a toda a humanidade. E agora me diga, onde está a idolatria?" - Ele, depois de ouvir tudo isso, disse: - Eu não sabia disso. Ensina-me tia Joana, a rezar o terço!" 

*Testemunho verídico enviado por A.R.S, Esperança - PB. 

Transcrito do Informativo "Ecos de Fátima", nº 14 , janeiro de 1998.

Autor: A.R.S, Esperança - PB